TRANSCRITO DA REVISTA DA ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE CIRURGIÕES DENTISTAS (APCD) - VOL. 55 - N° 4 - JUL./AGO. - 2001 - SEÇÃO ORIENTANDO  O PACIENTE


 
 
 

Informações fornecidas verbalmente aos pacientes  nem sempre são assimiladas e retidas embora, muitas vezes, sejam fundamentais para o êxito de tratamento. A seção Orientando o Paciente (da Revista da APCD) está aí para ajudá-lo nesta tarefa. Copie e distribua



Orientações sugeridas por Karem López Ortega - Professora Titulas da Disciplina e Patologia Geral e Bucal da  FOUSP  e Luiz Carlos Arias Araujo, Professor Assitente da Disciplina de Estomatologia da UNILUS.

Herpes Labial

O que e o herpes?
O herpes simples e uma doença infecto-contagiosa causada por um vírus chamado Herpes hominis virus. Existem dois tipos de vírus do herpes simplex: o tipo 1 e o tipo 2. Geralmente, o tipo 1 e responsável pelos casos de herpes labial, e o tipo 2, pelo herpes genital.
 
Como acontece a transmissão do vírus?
A infecção pelo herpes se da através do contato direto com leves infectadas 
pelo vírus. Esse primeiro contato se da, invariavelmente, durante a infância. 
A situação mais comum de contagio é aquela em que algum dos pais (ou 
parentes próximos) é portador do vírus, apresenta as lesões em lábio e entra 
em contato direto com a pele da criança.

O que acontece depois que a criança se contamina?
Após o contato com as lesões, a pessoa passa por uma fase de incubação 
do vírus, que dura em torno de 10 dias. Após esse período, algumas 
crianças podem apresentar a primo-infecção herpética ou estomatite 
herpética primaria. Essa fase e marcada por manifestações clínicas, 
como febre, mal ester geral, irritabilidade, cefaleia, perda de apetite e linfadenopatia. A seguir, podem surgir bolhas na boca, nos lábios e na 
pele em torno dos lábios. Logo as bolhas se rompem, formando ulceras extremamente dolorosas e sangrantes. O quadro clinico tem resolução 
espontânea em cerca de 15 dias. Apesar da severidade da manifestação 

primaria do herpes, apenas 1% dos pacientes que são infectados pelo vírus desenvolvem a doença clinica: 99%, apesar de infectados, não apresentam sinais ou sintomas clínicos.

Mas não são os adultos que apresentam a doença com mais frequência?
Sim. Na verdade, são poucas as crianças que apresentam as lesões em pele ou boca. Após o contagio inicial (tendo ou não apresentado as manifestações clinicas ), o vírus fica "dormente" dentro do | organismo e só volta a  apresentar manifestações clinicas a partir da adolescência. As manifestações clinicas que acontecem na fase adulta ocorrem pela reativação do vírus que estava "dormente" e estão, geralmente, ligadas a queda de imunidade.

Quais as causas da reativação do vírus?
Alguns fatores desencadeantes comuns são: febre, exposição ao sol, distúrbios gastrointestinais,
trauma mecânico, estresse e períodos menstruais.

Como são as lesões recorrentes?
As manifestações secundarias não são tão graves como as da primo-infecção. As leves restringem-se, na maioria dos casos, a região perioral ou perinasal, aparecendo na forma de pequenas bolhas que estouram e são recobertas por uma crosta durante o processo de cicatrizado. O curso clinico da estomatite herpética secundaria finda em torno de 8 dias.

Existe cura para o herpes?
Não, mas existe tratamento. O tratamento visa diminuir a frequência com que os episódios ocorrem. Atualmente, os tratamentos envolvem drogas como o aciclovir, empregadas de forma local e sistêmica, e aplicações de laser de baixa intensidade.


                              Herpes notícias de setembro 2002