É válido, nos dias de hoje, extrair dentes com fins ortodônticos ?  Está é a pergunta que faz uma paciente para os consultores do Cyber Ortho Club.

" ESTOU PRESTES A COLOCAR UM APARELHO ORTODÔNTICO, MAS SEGUNDO A MINHA
ORTODONTISTA TEREI QUE ARRANCAR ALGUNS DENTES. GOSTARIA DE SABER SE ESSA
PRÁTICA É MUITO UTILIZADA , POIS PERCEBE-SE DETERMINADOS AVANÇOS EM TODOS OS CAMPOS DA ANATOMIA HUMANA. É IMPORTANTE RESSALTAR QUE NÃO ESTOU
DUVIDANDO DA CREDIBILIDADE DA ESPECIALISTA. O FATO É QUE TENHO UM POUCO DE RESISTÊNCIA E PRECISO TOMAR UMA DECISÃO. CONTO COM A COLABORAÇÃO DOS
SENHORES PARA UMA POSSÍVEL RESPOSTA
OBSERVAÇÃO: Tenho 30 anos e terei de arrancar dois superiores e dois inferiores. Fico imaginando que meus dentes continuarão tortos e ficarei banguela!!!!! "
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Prezada Consultante:
SIM !!!  POSITIVAMENTE SIM.  É VÁLIDO, EM MUITOS CASOS,  FAZER EXTRAÇÕES DE DENTES PARA REALIZAR O TRATAMENTO ORTODÔNTICO.
Exceto a confiança que lhe inspira a Ortodontista, que propõe o tratamento,  não tenho outra informação e, desde logo, não se pode emitir nenhuma opinião, no seu caso em particular.
No entanto, sua manifestação é lúcia e importante, merece resposta mais explícita. Outros pacientes têm a mesma preocupação. Assim,  respondo-lhe aqui, em minha homepage, como faço com outras perguntas inteligentes, cuja resposta pode ser de interesse geral.
Respondo de maneira genérica. Sobre o ponto de vista histórico, antropológico e etiológico as extrações impõem-se,  em muitos casos, em que falta espaço para o alinhamento dos dentes, dentro de suas bases ósseas.
Até o fim do século passado, as extrações, com fins ortodônticos, não eram aceitas por Angle, o grande maetro da Ortodontia.  Foram seus próprios alunos que, rebelando-se contra o Mestre, em Reunião da Associação Americana de Odontologia, depois de inúmeras discussões, comprovaram definitivamente a necessidade de extrações, com fins terapêuticos em muitos casos de falta de espaço.
Sem que se tenha uma causa efetivamente comprovado, é fato absolutamente certo que o homem, em sua evolução morfológica, diminuiu expressivamente os seus maxilares, sem que os dentes tivessem diminuído de tamanho, na mesmo proporção. Isto faz com que os dentes apresentem-se amontoados  ou protruídos, por lhe faltar lugar no espaço que dispõem.  Desde a comprovação da Lei de Newton, "Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço".
Assim, muitos casos em que os dentes estão fora de suas bases ósseas, seja por apinhamento ou por protrusão dentária, a causa é a falta de espaço para o seu correto alinhamento. Em muitos destes casos  é necessário extrair. Recursos como expansão transversal das arcadas, distalamento, protrusão incisal e pequenos desgastes proximais são válidos, quando podem ser utilizado, em limites apropriados a cada caso.  Exagerar nestes recursos, além de limítes peculiares ao caso, poderá ser calamitoso e extremamente
netagativo para o paciente, tanto no ponto de vista funcional quanto estético.
Veja casos em que deveriam ter sido feitas extrações, porém, para ser "bonzinho" com paciente, expandiu-se as arcadas dentárias, superior e inferior, além dos limites.
Cléber
 

             Casos clínicos de expansões indevidas (transversal e anterior )